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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Mais actividades e menos centros comerciais

Circuitos pedestres, de jipe, a cavalo, de bicicleta, provas de vinhos e de queijos e, até piqueniques que são muito apreciados pelos europeus nórdicos, são algumas das ideias de Carolina, da Sol Resor, para melhorar o turismo nos Açores.
Em declarações ao nosso jornal, a empresária critica as obras da avenida, que apesar de não impedirem os turistas de visitarem a ilha deixam-nos “desiludidos”, imagem que levam de volta ao país de origem. Menos lojas e mais iniciativas é outro segredo para o sucesso.
São Miguel é encarado como um lugar muito bonito, pacífico e calmo, de gentes muito agradáveis e sempre dispostas a ajudar.

Carolina Anderson, gerente do operador turístico Sol Resor, começa por dizer que a Região recebeu este ano “a mesma quantidade” de turistas nórdicos, em relação a 2007. “Houve apenas um pequeno decréscimo, mas os números são quase os mesmos. Ninguém reparou”-especifica.
São seis voos semanais, desde o 1º de Maio até ao final do ano, um da Finlândia, dois da Dinamarca, dois da Suécia e um da Noruega.
“Os voos chegam uma vez por semana, transportado cerca de 200 turistas, que ficam na ilha uma semana ou duas”- acrescenta.
Segundo Carolina, os países de onde vêm mais turistas são a Dinamarca, todo o inverno, e a Suécia.
Referindo-se à imagem que os turistas levam de São Miguel, afirma ser a de uma ilha “bonita, pacífica e calma”. Salienta ainda que os turistas têm sido muito activos em quererem conhecer “toda a ilha”, mas lamenta o facto de não ficarem assim tão “impressionados com a comida, pois são sempre os mesmos pratos, tanto de carne como de peixe”. Além disso, a comida tem “pouco picante”.
São Miguel é ainda um “óptimo destino de golfe”, pois a estação é muito longa.
Carolina reconhece também que os Açores são um destino “muito difícil de vender” no inverno, devido ao clima. “Não há garantias de bom tempo. Muitas vezes, o turista vem e volta sem ver nada das paisagens, por causa do nevoeiro”.
Quanto às polémicas obras da avenida, avança não serem o problema. “ Isso não assusta os clientes, mas quando eles chegam ficam desapontados e vão-se embora a pensar que é uma terra de obras e barulhenta”.
Revela ainda ter “muitas reclamações devido ao barulho”, por isso está “ansiosa” que as obras acabem.
Mencionando os destinos que os Açores podem cativar, a empresária fala principalmente na Holanda, mas afirma serem “todos os países europeus” de um modo geral.
“Estou cá há oito anos a trazer turistas. A Suécia é um país muito pequeno, não podemos forçar o mesmo número de turistas a virem todos os anos”- enfatiza.
Por outro lado, Carolina afirma tratar-se, “muitas vezes, de uma questão de moda”.
Actualmente, estão na moda viagens de “longa distância”.
Quanto ao que podia melhorar no turismo local, aponta a “falta de barcos para Santa Maria, que permitam aos turistas irem e virem no mesmo dia, com pacotes activos, com almoço, tudo incluído” e, também, barcos para a Terceira por “2 ou 3 dias”.
São necessários ainda “folhetos simples com toda a informação, incluindo o horário dos autocarros” e bilhetes de autocarro para “dez viagens”.
A empresária salienta ainda a necessidade de haverem “mais actividades ligadas à vida rural”, relacionadas com leite, chá ou, “provas de vinho e de queijo”.
Outro aspecto útil seria existirem “mais restaurantes fora da cidade, para as excursões, e abertos só para grupos”.
A empresária aproveita a ocasião, para dizer que a ilha não precisa de mais “centros comerciais”, de mais lojas, defendendo, também, que “o Casino não é importante”, pois não vai atrair mais turistas nórdicos.
Os turistas gostam, é da “natureza, de passeios de bicicleta, de jipe, a cavalo, de carro, de fazer piqueniques, de golfe”.
“Os turistas suecos poupam muito dinheiro para virem aos Açores e preferem gastá-lo em actividades, não em refeições”- acrescenta.
Segundo Carolina, as Furnas são muito famosas. “70% dos turistas que cá vêm, vão às Furnas e provam o Cozido”.
As estradas estão “muito melhores”, mas o facto é que “o turista quer ir pelos caminhos antigos, quer ver a natureza”. Quer um ambiente de campo, não de cidade.
A empresária avança ainda que, os Açores deviam apostar, em trazer “portugueses para o golfe, mesmo por curtas estadias de 2/3 dias”, e não só estrangeiros. “É mais importante trazer portugueses”-defende.
Quanto ao serviço dos restaurantes, afirma que, no início, havia “muitas queixas”, de que “a comida estava, fria, não chegava ao mesmo tempo para todos e, tinha pouco picante (queixa que ainda se mantém)”.
O serviço, afirma, “melhorou muito”, pois a princípio os empregados tinham “medo de falar inglês, medo de errar” e por isso preferiam ficar calados. Agora, isso já não acontece.
Actualmente, se um turista estiver na rua de mapa na mão, “há sempre alguém que se aproxima a perguntar se este precisa de ajuda”- ressalva, dizendo que antes isso não acontecia.
“Os açorianos são vistos como um povo amigável, que gosta de ajudar e muito calmo”- características, que reconhece que o turista “não esquece” numa próxima vez que queira viajar.
Outra questão que tem gerado alguma polémica é a dos guias turísticos.
“Não há guias turísticos locais que falem fluentemente sueco, finlandez, dinamarquez e norueguez, daí a necessidade de trazermos guias turísticos dos países nórdicos, que estagiam na Região por seis meses e, vendermos excursões com guias próprios”. Na formação, aprendem os dois juntos. “Se os guias locais pudessem trabalhar connosco, era óptimo”- reconhece.
Revela ainda que a comunicação social tem sido “muito dura” com as agências nesta matéria, ao dizerem que tiram trabalho aos locais. “Apenas tentamos causar uma boa impressão aos turistas”- conclui.

Raquel Moreira
Public in Terra Nostra, Março de 2008.

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