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quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Fiél" a si próprio e preocupado com o mundo!


João Pedro Pais lança novo álbum em 2008


Louco por ti”, “Mentira” e “Ninguém é de Ninguém”, são alguns dos êxitos deste cantor que adora visitar os Açores. Falamos do simpático João Pedro Pais, que prevê lançar um novo álbum antes do final do ano.A pobreza e a fome existentes a nível mundial são questões que preocupam o cantor, e que este considera “inadmissíveis”. O que mais o assusta é a “miséria dos outros, quer a miséria humana, quer a mental ou económica”. Segundo o artista, o mundo está “cheio de dinheiro, e há milhares de crianças a morrerem à fome”. Este aproveita para dizer que os países envolvidos, não prestam atenção a esta realidade. Às vezes, o “Bill Gates, ou a Oprah, fazem mais do que certos governos que estão preocupados com o seu umbigo”.


Adora a música, que faz parte da sua vida desde pequeno. Começou por actuar em bares fazendo ‘covers’ de vários artistas portugueses. Até que, dois anos após a sua participação em Chuva de Estrelas surgiu a oportunidade de gravar um primeiro álbum.João Pedro Pais, um artista acarinhado por muitos, apresenta no final de 2008 o seu último trabalho discográfico.João Pedro Pais, natural de Lisboa, começa por dizer que já fazia “alta competição” antes de se dedicar à música, até que esta “falou mais alto”. E foi a aposta “certa”, considera, pois, a seu ver, “as coisas têm corrido muito bem”.Com “Ao Passar de um Navio” dos Delfins, o cantor concorreu ao Chuva de Estrelas, transmitido pela SIC, onde ficou em segundo lugar. Participação, que encara como uma “brincadeira”, que avança não ser para levar a sério.“Era um programa que tinha muita audiência na altura e foram muitas as pessoas que me viram participar. Algumas gostaram, outras, não sei”- explica, lembrando que dois anos depois, em 1997, surgiu o primeiro álbum. Foi um “visionamento televisivo”, pois a SIC estava no seu início e, salienta, tinha muita audiência. “Lembro-me que o programa passava às sextas-feiras e as pessoas ficavam todas em casa para assistir e só depois saiam. Eram dois milhões de pessoas a ver o Chuva de Estrelas na altura”. Fazendo um balanço de carreira, afirma ser “muito positivo”, acrescentando ter feito já duetos com quem “não esperava fazer tão depressa”. Refere-se a Mafalda Veiga, Jorge Palma, Fausto, Luís Represas, José Mário Branco, Brian Adams. Isto, além de ter feito as primeiras partes de “Nove Concertos com Brian”.João Pedro Pais avança ter muitos pontos altos na sua carreira e está tudo “cada vez melhor”. Mas o importante, sublinha, é que continua a trabalhar, a ser “fiel” a si próprio. Ler, é também fundamental para “poder compor melhor e escrever letras com mais maturidade e que digam algo às pessoas”.O cantor inspira-se muitas vezes numa “imagem” sobre o que o envolve e que envolve também milhões de pessoas. “São as paisagens, as relações entre as pessoas. Canto a amizade entre as pessoas e a paixão”- enfatiza, acrescentando ser às vezes uma paixão um bocado “conturbada”, pois há sempre uma “procura”. “É um ‘quer mas não quer’, insegurança, coisas que muitas pessoas vivem no seu dia-a-dia”.Outras vezes, reconhece, “basta uma frase” de um livro, uma “fotografia” ou um disco, para dar continuidade.A vinda aos Açores, lembra não ser a primeira, acrescentando que adora visitar a Região, pois é “muito bem recebido”. Caso contrário, sublinha, “não estaríamos cá de certeza”.Referindo-se ao grande êxito “Louco por ti” e à possibilidade deste conter registos autobiográficos, afirma que o tema nasceu de uma vertente “muito imatura”, pois não tinha muitas “histórias de vida” para contar. “Gostei do refrão e escrevi o resto da história”. E continua, explicando que imagina alguém num bar a acender um cigarro, porque na altura tocava em bares. “Quando tocava, reparava que as mulheres tinham a mania de acender um cigarro muito junto ao palco e mandavam-me o fumo todo para cima”- esclarece, dizendo que, por isso, é que começa por dizer “Acende um cigarro, olha para mim”.Mencionando as oportunidades dadas aos novos artistas em Portugal, João Pedro Pais salienta que, actualmente, “as rádios dão muita voz à música portuguesa”. Por outro lado, contrapõe que as canções têm de ser “boas”. As pessoas às vezes não têm noção e deitam qualquer coisa deitam cá para fora, mas “se a música for boa, as rádios tocam-na”.Quanto à dificuldade de internacionalizar a música portuguesa, se prender com uma eventual tendência das rádios passarem na maior parte do tempo música estrangeira, o cantor avança que “as rádios estrangeiras é que devem passar música portuguesa”.As rádios portuguesas, defende estarem a cumprir a “quota exigida” de música portuguesa, afirma, lembrando que muitas vezes, liga o rádio e ouve “muita” música portuguesa. O cantor diz gostar de ouvir Jorge Palma, Fausto, Abrunhosa, Xutos, GNR, os Táxi e, “muitos outros”- acentua, referindo-se a “rádios nacionais conceituadas”.Agora, alerta, há rádios que estão “viradas para um certo estilo de música” e claro, reconhece, que cada rádio “não pode tocar todos os estilos de música”. Estas encontram-se viradas para um target (alvo), que gosta mais da música que essa rádio passa.Na sua opinião, é “difícil” a música portuguesa ir além fronteiras, pois a língua portuguesa é “limitada”. Segundo o cantor, “o que triunfa lá fora é o Fado e a música diferente, que eles não têm”, pois no estrangeiro já há muitos e “não notam a diferença” quando surgem grupos portugueses a cantar em inglês.Quanto ao facto de um artista ter uma certa responsabilidade social e tomar posições, o artista diz concordar. E apesar de ter a sua opinião, este não pretende tomar “posições a nível político”. Mesmo assim, sendo um cidadão do mundo diz saber o que está “mal”, como as pessoas não terem “emprego”.João Pedro Pais aproveita ainda para dizer que sempre houve “dualidade a nível social e económico”, mas o que mais o assusta é a “miséria dos outros, quer miséria humana, quer a nível mental e a nível económico”. Situação que considera ser “inadmissível”, porque o mundo está “cheio de dinheiro”, que não se rasga, não se deita fora, e há crianças a passarem muito mal.“Morrem milhares de crianças por dia à fome e o resto dos países envolvidos não presta assim tanta atenção a esta realidade. Às vezes, fazem mais a Oprah e o Bill Gates, que agora se reformou para se dedicar e que vai ao terreno fazer obra, como a Oprah, do que certos governos que estão preocupados com o seu umbigo”- enfatiza, avançando ser algo preocupante. Mesmo em Portugal, admite, há pessoas a viver “mal” e quem reconhece, “desperdiçam muito” também.Em termos de projectos, revela estar desde Junho a gravar um novo álbum, que deve sair à rua no final do ano. O álbum, produzido pelo “conceituado” Mário Barreiros, é totalmente novo e contém “músicas com mais maturidade”.O cantor aproveita ainda para mandar um “grande abraço” a quem ler esta reportagem, aconselhando a que as pessoas “continuem a ler em português”, sejam jornais ou livros, pois também “somos aquilo que lemos”. E é muito importante, sublinha, “lermos o que os outros escrevem, sem serem as fofocas, as banalidades” do dia-a-dia.Vida e obraNascido em Lisboa a 20 de Setembro de 1973, na pré-primária já se lhe conhecia o jeito para música, uma vez que os seus tios avós maternos eram quase todos músicos de guitarra portuguesa, viola, piano e violino. Também o desporto é uma área a que se dedica, tendo sido várias vezes campeão no estilo Greco-Romano.Esporadicamente, João Pedro Pais tocava em alguns bares onde conheceu grandes músicos africanos, vindo daí o gosto pela viola. Aprendendo de ouvido, este consegue fazer bares sozinho tocando ‘covers’ de Trovante, Fausto e Zeca Afonso, entre outros.Não sendo a alta competição compatível com a vida de músico, João Pedro faz a sua última participação desportiva em 1995 no Rio de Janeiro, onde alcança o 1º lugar.Concorre ao programa Chuva de Estrelas e chega à etapa final, continuando a levar a sua música a bares, até surgir a oportunidade de gravar um primeiro álbum.Em 1997, o cantor lança finalmente o seu primeiro álbum de originais, intitulado Segredos, que se revela um campeão de vendas logo à partida e, onde os temas Ninguém (é de ninguém) e Louco (por ti) se tornam dos mais emblemáticos da sua carreira.Muitos espectáculos são agendados, o que o leva a ascender rapidamente no mundo da música em Portugal. Acarinhado por um público muito vasto, de norte a sul, João Pedro Pais torna-se uma referência ímpar para muitos dos seus fãs.Outra Vez, o segundo disco, chega-nos em 1999, trabalho em que mais uma vez consegue surpreender com a sua sonoridade ligada ao Pop/Rock, não descurando de letras genuínas e sentidas. Novamente nomeado para os Globos de Ouro na categoria de Melhor Interprete, o tema “Mentira” é também eleito para a categoria de Melhor Canção.Dois anos depois, Falar Por Sinais, vem consolidar o trabalho do artista que o país acompanha desde o início. O vídeo do tema “Um Resto de Tudo” é gravado em Barcelona e, mais tarde, “Não Há” é escolhido para banda sonora de uma telenovela portuguesa. As vendas elevam o disco a Platina.Em Fevereiro de 2003 é convidado a fazer a 1ª parte da Tournée Ibérica com Bryan Adams, por Espanha (Barcelona, Alicante e Madrid), Lisboa, Porto e Guimarães. Os espectáculos absolutamente esgotados levam ao rubro milhares de fãs, tornando-se numa das participações mais gloriosas do seu percurso, enquanto compositor e intérprete. No ano seguinte, o cantor actua na primeira edição do Rock In Rio – Lisboa, ao lado de muitos nomes internacionais.João Pedro Pais lança também o seu quarto trabalho de originais Tudo Bem, no qual “Mais Que Uma Vez” e “Tudo Bem” são escolhidos para singles, mas tantos outros são cantados pelas multidões que assistem aos seus espectáculos.Dois anos depois, já em 2006 dá vida ao projecto “Lado a Lado”, com Mafalda Veiga. O espectáculo, com casa cheia, realizado no Centro Cultural Olga Cadaval, torna-se numa noite memorável que leva à gravação do disco, ao vivo, logo em Janeiro de 2007. Nos meses seguintes o dueto faz vários espectáculos pelo país fora, sendo o Funchal a cidade escolhida para a estreia.Ainda em 2007, o site oficial (http://www.joaopedropais.com/ é totalmente remodelado, com inserção de vários conteúdos e construção de um Fórum para troca de ideias entre os fãs do artista, cuja adesão teve sucesso imediato. Neste momento, o artista encontra-se em gravação do seu novo disco de originais, cujo lançamento está previsto para o final de 2008. Do seu repertório, constam Segredos (1997); Outra Vez (1999); Falar por Sinais (2001); Tudo Bem (2004) e três anos depois Lado a Lado, com Mafalda Veiga.
Raquel Moreira
Public in Terra Nostra, Julho de 2088.

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