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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Os açorianos são "genuínos"


Mafalda Veiga

Começou a compor aos 13 anos, pois desde pequena é amiga da guitarra. Nascida em Lisboa, para onde regressou, após ter passado a sua infância em Espanha, Mafalda Veiga começou a investir no seu primeiro disco quando estava para entrar para a universidade. Quanto aos Açores, afirma ser um lugar “genuíno, de uma natureza forte e diversa e, de pessoas igualmente tão genuínas” que a têm recebido sempre “tão bem”.


“Pássaros do Sul” foi o seu álbum de estreia em 1987 e desde essa altura foi um não parar. Com "Menino de Sua Mãe", "Restolho", "Balada de Un Soldado" e o seu primeiro single"Planície", o álbum chegou rapidamente a disco de prata e tornou-se um grande sucesso. Actualmente, Mafalda Veiga trabalha já num novo álbum.
T.N.) O que nos pode contar sobre si?
M.V.- Nasci em Lisboa, apesar de grande parte da minha família ser de Montemor e residir lá. Depois de ter passado lá a minha infância e a adolescência em Espanha, voltei para Lisboa, para a Faculdade de Letras, e é em Lisboa que moro desde essa altura. Foi mais ou menos quando entrei para a Faculdade que comecei a trabalhar nas maquetes do meu primeiro disco.
T.N.) Como e quando se iniciou no mundo da música?
M.V.- Comecei a compor cedo, com 13 anos mais ou menos, e tive sempre com a guitarra essa relação mais criativa do que estudiosa, de a usar como chão’ de histórias que me apetecia contar. Houve uma altura, em que comecei a compor com mais regularidade e comecei a ter como objectivo gravar as minhas canções.Com a ajuda de António Vacas de Carvalho, um amigo da minha família, e do baixista António Ferro, gravei com excelentes músicos as maquetes que, depois, mostrei a várias editoras. Acabei por assinar com a EMI, que convidou o Manuel Faria para produzir o disco. Ele era membro dos Trovante, e foi assim que começou… A música, para mim, é uma energia fortíssima, um trabalho e um prazer enorme. É um sentido, um caminho que escolhi fazer na vida.
T.N.) Qual o disco e o concerto, que lhe deram mais prazer até hoje e porquê?
M.V.- Pela composição, pelo prazer que me deu escrever as canções, foi o “Tatuagem”. Pela experiência de estúdio e todo o trabalho que envolveu, foram “A cor da fogueira” e o “Chão”. Dos concertos é difícil, porque muitos se tornaram especiais, mas talvez destaque os Coliseus de Lisboa e do Porto, em 2003 e 2004, porque foram produções em que houve um grande investimento artístico e emocional que o público recompensou de uma forma inesquecível…
T.N.) Qual a base de inspiração, ao escrever as suas canções?
M.V.- Sem dúvida o quotidiano, as pessoas e as suas histórias de encontros e desencontros, de sonhos, esperanças, tristezas, alegrias, tudo o que é viver.
T.N.- ) Em termos de duos, com quem gostou mais de trabalhar até hoje? Porquê?
M.V.- Gostei de trabalhar com todas as pessoas com quem trabalhei, foi um prazer enorme ter partilhado canções, momentos, lugares com colegas que admiro muito, desde o Luís Represas, ao Jorge Palma, ao João Pedro Pais ( com quem a experiência de trabalho foi mais aprofundada ainda). Aprendi imenso com todos eles.
T.N.- ) Outros cantores nacionais e internacionais, que admire?
M.V.- Gosto da Aimee Mann, do Sufjian Stevens, da Ella Fitzgerald…
T.N. ) O que mais e menos gosta nas pessoas?
Gosto da sensibilidade aliada à inteligência. Não gosto da prepotência, do preconceito que é o culto da ignorância e da insensibilidade.
T.N.) Até hoje, qual o trabalho que demorou mais tempo a preparar?
M.V.- Não sei, tento dedicar a cada projecto o tempo que é necessário, com concentração e paixão. Já me disseram que fico demasiadamente focada quando estou envolvida num projecto, mas para mim só vale a pena assim e adoro o meu trabalho.
T.N. ) É apreciadora de teatro? Quais os seus actores e actrizes de referência em Portugal?
M.V.- Gosto muito de teatro e gosto de muitos actores. Tenho um carinho especial pelo Ruy de Carvalho e pelo Pedro Granger, gosto também muito da Rita Salema, e em geral acho que todos os cantores têm muito a aprender com os bons actores na maneira de dizer e expressar com a voz as emoções.
T.N. ) Já visitou os Açores. O que pensa sobre a Região?
M.V.- Por sorte já visitei os Açores muitas vezes, já toquei muitas vezes em várias ilhas, e foram sempre experiências diferentes e fantásticas. É muito bom o privilégio de ir ao encontro de lugares tão genuínos, de uma natureza tão forte e diversa, e de pessoas igualmente tão genuínas que me têm recebido sempre tão bem.
T.N.- Projectos de novos trabalhos?
M.V.- Para já, o projecto é apresentar ao vivo este novo disco com toda a equipa que trabalha comigo e que comigo construiu este espectáculo.
Biografia
Nascida em Lisboa a 24 de Dezembro de 1965, Ana Mafalda da Veiga Marques dos Santos viveu em Badajoz de 1974 a 1984, cidade onde com onze anos começou a tocar viola. O mestre da altura foi Pedro da Veiga, guitarrista de Nuno da Câmara Pereira.
Começou por fazer as suas primeiras composições em espanhol e inglês e em 1983 tinha já a primeira canção em português: "Velho". Canção que lhe valeu a vitoria no Festival da Canção de Silves, no qual se apresentou ainda como Mafalda Santos. O seu álbum de estreia, "Pássaros do Sul", produzido por Manuel Faria e editado em 1987, incluiu temas como "Menino de Sua Mãe", "Restolho", "Balada de Un Soldado" e "Planície" (o primeiro single, com "Me Escape Com Mi Guitarra" no lado B) e chega rapidamente a disco de prata, tornando-se um grande sucesso. Em 1988, Mafalda Veiga ganha o prémio "Revelação" do jornal Se7e e o troféu "Nova Gente" para melhor cantora e é nomeada também para os prémios "Zeca Afonso".
Em Novembro de 1988 é editado o álbum "Cantar", onde “Nazaré” e “Cidade”são os temas mais divulgados. O acordeonista Gabriel Gomes (Sétima Legião, Madredeus) participa em "Llovizna", o único tema deste disco que é cantado em espanhol.
Em 1991, Mafalda Veiga é a convidada especial dos últimos espectáculos dos Trovante, em Sagres e nos Coliseus de Lisboa e Porto. O álbum "Nada Se Repete" é editado em 1992, disco que conta com a participação de Luís Represas no tema "Fragilidade" e na autoria da letra de "Prisão". Álbum, que a leva a ganhar o Se7e de ouro para melhor disco.
Mafalda Veiga muda de editora, passando da EMI para a Strauss, e em 1996 edita o disco "A Cor da Fogueira" com produção de José Sarmento. Durante a Expo-98, esta é uma das cantoras envolvidas no projecto "Afinidades", para o qual convidou o músico cubano Raúl Torres.
O quarto álbum intitulado "Tatuagem", o preferido da cantora, é editado em 1999 pela Popular com produção de Manuel Paulo Felgueiras. Um dos temas em maior destaque é mesmo "Tatuagens", que conta com a participação de Jorge Palma.
Em Dezembro de 2000 é editado o disco-duplo "Ao Vivo" gravado nos concertos do CCB e do Rivoli. No ano seguinte, a cantora participa no espectáculo "Come Together" de homenagem aos Beatles, a laod de nomes como Rui Veloso, Silence 4, Xutos & Pontapés, Clã e Blind Zero. No início de 2003 é lançado o disco "Na Alma e Na Pele" com produção de Rui Costa. Em Novembro de 2003 actua no ciclo de espectáculos "A Cantora, o compositor, o estilista e o convidado dela" onde interpreta temas de Jorge Palma. Em Maio de 2007 é editado o disco "Lado a Lado" gravado com João Pedro Pais.

Raquel Moreira
Public in Terra Nostra, Julho de 2008.

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