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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Liberdade total em viagem


Clube Motard de Santa Maria

Viajar de mota sem itinerário planeado e ao sabor do vento é o programa do passeio anual do Clube Motard de Santa Maria, que se prolonga até São Miguel, como já é habitual. Paulo Resendes, membro do clube, conta ainda que a ida à ilha Terceira era a novidade este ano, o que não foi possível, pois "a transportadora cancelou a viagem e inviabilizou o passeio, o que nos deixou desiludidos e chateados". Segundo Marco Soares, presidente do referido clube, nos anos anteriores o evento teve "bastante" adesão, sendo o objectivo fazer "novas amizades e conhecer novas paragens".

Viajar de mota sem itinerário planeado e ao sabor do vento é o programa do passeio anual do Clube Motard de Santa Maria.
Marco Soares, presidente do Clube Motard de Santa Maria, começa por dizer que todos os anos visitam outra ilha, normalmente São Miguel por motivos logísticos. O que este ano, lamenta, não foi possível por questões de "transporte". As edições anteriores tiveram "bastante adesão, mas este ano ainda não se sabe qual o número de participantes"- sublinha, avançando que os objectivos são "fazer novas amizades e conhecer sítios diferentes", dando praticamente a volta à ilha.
O programa ainda não é definitivo e "a viagem em si não está muito programada, preferimos ver o que vamos fazer, consoante a opinião de todos e não só da direcção"- enfatiza o presidente. Chegando aos respectivos destinos, o clube optou ainda por fazer "tudo o que passar pela cabeça na altura", mas o investimento é praticamente nulo, pois cada um é responsável pelas suas despesas.
"Para entrar no clube, basta ter mota e um mínimo de idade claro, 18 anos"- salienta Marco Soares, avançando que esta entidade já organizou vários eventos este ano, como "passeios e um ralie-paper de mota".
O clube nasceu "há cerca de cinco anos", relata, e comemorou no passado dia 6 de Abril o seu quinto aniversário. Ocasião festejada com um jantar, onde não podiam faltar o bolo e o champanhe. Mas Marco Soares não sabe de mais pormenores, visto ser presidente há "pouco tempo". O seu objectivo é mesmo a promoção de eventos, o que o presidente lamenta que tem sido "muito difícil" de alcançar desde há dois anos, pois "não há verba".
"Contratávamos artistas de motas e pensamos fazer o mesmo em 2007, mas não foi possível"- justifica.
Há dois ou três anos atrás, Marco Soares conta que puderam contar com Humberto Ribeiro, campeão mundial de Freestyle, e o ano passado queriam-no de volta, mas "não conseguimos verba de maneira nenhuma"- afirma, insatisfeito, lembrando que Humberto até pretendia trazer "um Ferrari" para fazer o espectáculo.
Apenas para a ida de artistas a Santa Maria, o presidente do Clube de Motards revela necessitar de uma verba de "5 mil euros". Além de que não têm "sede própria", apenas um espaço "provisório, pois nem o terreno conseguimos ainda".
Marco Soares lembra também que costumam fazer umas barraquinhas "para angariar alguns fundos" e desde o início do clube as várias direcções têm "batalhado ao máximo", para poderem ter sede própria, o que, na sua opinião, "irá certamente irá unir mais os sócios e proporcionar um maior convívio", no lugar de os "afugentar", como tem acontecido.
O balanço da actividade do clube tem sido "positivo", pois "embora sejamos pequenos somos bons"- conclui.
Por seu lado, Paulo Resendes, membro do Clube Motard, começa por confessar estar "muito chateado", pois, lamenta, a transportadora regional "cancelou" a viagem dos motards à ilha Terceira, "inviabilizando" o passeio. "A empresa dos barcos dificultou-nos ao máximo a realização desta viagem e agora verifico que é somente para dar jeitos a um ou outro amigo"- acentua.
"Em Santa Maria, o Santorini fez tempo no mar para levar somente os carros participantes (refere-se à volta dos clássicos), o que talvez nem chegue a 40 pessoas. Na sexta dia 12, entrou no porto um petroleiro, que descarregou combustível durante 36 horas, mas o Santorini esteve na noite de sexta para sábado. O petroleiro teve de parar a bombagem, aguardando no exterior até ás 8h da manhã, saindo o Santorini para o largo da ilha para, como se diz na gíria, fazer piscinas (matar tempo), até atracar novamente ás 17h. Isto, para levar de volta os carros antigos. E não tendo o petroleiro terminado a descarga, teve de voltar a entrar no porto. Ou seja, 3 entradas somente por causa de uma alteração de horário do navio por causa destes carros". – desabafa, alertando contudo ser "adepto destas realizações, mas não de se prejudicar uma ilha inteira por causa disto!".
Mas, sublinha, "soou aos ouvidos dos responsáveis que alguns órgãos de comunicação social já estavam a par desta situação e, inverteram-na". Logo, agora "em vez de ser o Santorini, a levar de volta os carros antigos e a fazer piscinas, será o navio tanque". Inverteram os papéis, argumenta, para "dar menos nas vistas" e uma operação comercial que "levaria 36 horas, passará quase a 50h (€€€ ai ai!!!!)".
Salientou ainda que, tendo em conta a "dimensão" da ilha, as actividades do clube não se cingem somente ao andar de moto, pois além dos passeios destacam-se "acções de âmbito social", como "dar sangue", que evolve "muitos marienses aficionados, ou não," das duas rodas. Daí, sublinha, os marienses terem muita "consideração" por este clube.
"Os Motard´s marienses não são aqueles motoqueiros que fazem barulho e provocam distúrbios..."- é o que afirma ouvir da boca das pessoas e é "bonito".
"Ajudar quem mais precisa"... foi o slogan que motivou, mais uma vez, os motards marienses a irem para a estrada juntamente com as companheiras ( motos e penduras) "distribuir pelas crianças mais carenciados brinquedos e guloseimas", algo que, reconhece, muitas vezes, estas têm alguma "dificuldade" em receber nesta época festiva.
Com o passar dos anos, "felizmente" esta associação mariense tem recebido dos seus associados "cada vez mais brinquedos e contributos" para oferecer, o que demonstra apenas a "generosidade" dos marienses e em especial dos seus aficionados pelas duas rodas.
No natal, os motards oferecem também um cabaz a uma família mais carenciada, revela, avançando que um ano o prémio coube ao Recolhimento de Santa Maria Madalena, instituição que acolhe idosas no seu seio. Foi "muito cativante observar aquelas idosas ao brincar com o pai natal motard, que lhes transmitia uma enorme boa disposição e alegria, respondendo estas com um enorme sorriso e o comentário que no seu tempo não existia aquele senhor vestido de vermelho, chamado de pai natal"- acentua.
Os rebuçados e o pai natal foram mais duas "importantes características" do peculiar passeio, que passou por "todas" as freguesias da ilha, enquanto as crianças corriam para a estrada na tentativa de "observar" o pai natal e que o mesmo fosse bondoso e lhe desse algumas guloseimas.
De salientar, é também a Via Sacra "Motard", que "conjuga a religião católica com uma actividade sobre rodas" e que considera ser algo "diferente".
"Com maior ou menor devoção, os 70 participantes na Via Sacra "Motard" tiveram na pessoa do padre Abel Maia um óptimo guia, pois este incentivou e concretizou a ideia de num percurso motard incluir a passagem em 14 das muitas igrejas e ermidas marienses, onde era feita uma breve resenha histórica sobre cada uma, algo que originava muitas vezes comentários curiosos"- esclarece.
A população da ilha, sublinha, tem grande "apreço" por esta actividade motard que, à semelhança doutras romarias, esperava pelos "peregrinos" nos templos.
Assim, os participantes para além de ouvirem algumas palavras com "fundamento religioso", puderam também "visitar templos católicos" pouco frequentados durante o ano e que, devido á sua qualidade de construção, são "autênticas" obras de arte.
O clube organizou ainda recentemente uma etapa do 1ºMoto Rallie dos Açores, na qual depois de terem iniciado a prova em São Miguel, os cerca de "70 Motard´s vindos do continente", visitaram Santa Maria.
O evento foi organizado em acção conjunta com o CATTT/INATEL /C Motard São Miguel, tendo em Santa Maria um apoio logístico do Clube Motard local, num trabalho muito "elogiado" por todos, pois não sem qualquer fundamento "competitivo", o CMSM levou os forasteiros a locais "muito bonitos" da ilha, e "foi visível o prazer dos motards" a percorrerem as estradas marienses.

Raquel Moreira

Public in Terra Nostra, Setembro de 2008.

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