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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

"Os empresários são fundamentais" no desenvolvimento do turismo!

Encontro Internacional de Turismo e Bem-Estar

A necessidade de “articulação entre as várias entidades públicas e privadas”, de modo a “melhorar” as acessibilidades aos Açores e a sua oferta e; a imprescindibilidade dos empresários nesta área, foram das principais conclusões retiradas do Encontro Internacional de Turismo de Saúde e Bem-Estar. Teresa Ferreira, do Departamento de Dinamização do Turismo de Portugal, avançou ainda que nos Açores, pretende-se “diversificar um pouco os mercados”, de forma a não ficarmos “dependentes” de mercados específicos, como o “nórdico”.
O número de turistas na Região deverá atingir os “1,2 milhões até 2015”, acentuou, um “desafio” que pressupõe crescer “todos os anos 6 a 7%”.

“Basta de uma oferta indiferenciada e dispersa. Temos de entrar na segunda fase do desenvolvimento turístico dos Açores, segundo padrões baseados numa sazonalidade acentuada” - foram palavras de Carlos Santos, presidente do Observatório Regional de Turismo, na Sessão de Abertura do Encontro Internacional de Turismo de Saúde e Bem-Estar, realizado em Ponta Delgada.
Segundo o mesmo, importa “aconselhar” os Açores a implementarem uma oferta turística diferente, pois a Região tem potencialidades nas áreas do turismo de natureza, de saúde e bem-estar, naútico e de golfe.
“Os Açores possuem em abundância os recursos necessários ao seu desenvolvimento”- acentua, avançando que a massa “estratégica” é baseada em parcerias público-privadas capazes de “atrair” investidores e clientes.
Por isso, é fundamental ter uma “dinâmica” de futuro e aprender com os outros o mau e “sobretudo o bom”, para se “explorar sinergias e acções em comum”.
“Temos que contribuir para o progresso turístico dos Açores”-enfatiza.
Teresa Ferreira, do Departamento de Dinamização do Instituto de Turismo de Portugal, começa por dizer que o objectivo do PENT é “traçar procedimentos” na área do turismo em Portugal, que, sublinha, representa 15% do PIB nacional e, 15% de empregos (em 2005). Mas é essencial haver “formação a nível de Recursos Humanos e uma modernização” das empresas e entidades públicas. Além disso, importa proporcionar ofertas “personalizadas”, tendo em conta as características de cada zona.
Os Açores têm grandes factores competitivos como o mar e, o nível de satisfação dos turistas é “muito interessante”, pois em 2007, 74% das suas expectativas foram “superadas”.
Outro ponto essencial focado por Teresa Ferreira foi a necessidade de “articulação entre as várias entidades públicas e privadas”, de modo a “melhorar” as acessibilidades aos Açores e a sua oferta.
Por seu turno, Costa Martins, presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, salienta a necessidade de haver metas “flexíveis” a atingir nos Açores, cujo produto turístico por excelência é a “natureza”. O turismo de saúde e bem-estar é uma oportunidade que deve ser “aproveitada”. Além disso, a Região dispõe de produtos sem grande relevância ou sem a devida “estruturação”, como a vertente “cultural, religiosa e histórica”.
“O turismo é uma alavanca no desenvolvimento regional, realidade que é importante que os políticos assumam”.
Isabel Barata, directora regional do Turismo, evidencia a necessidade de estarmos “atentos e de se antecipar” aquilo de que o mercado precisa, o que é fundamental nesta área. A directora aponta ainda que a oferta deverá corresponder com “eficácia” aos desejos do consumidor, devendo ser encarada como estrutura “única” no mercado de “interacção”.
À margem do evento falamos com Carlos Santos, presidente do Observatório Regional de Turismo, que afirma tratar-se da “primeira” Conferencia Internacional sobre Turismo de Saúde e Bem-Estar. Esta surge no âmbito da estratégia definida pelo Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT), que inclui o Turismo de Saúde e Bem-Estar como um “produto estratégico” para Portugal e que engloba os Açores como uma das regiões onde se este produto deve ser desenvolvido. Existe uma procura “crescente” do Turismo de Saúde e Bem-Estar no mundo e são vários os produtos que estão a ter “sucesso” nesta área e vários investidores em diversos destinos mundiais.
Os Açores têm condições “únicas” para desenvolver este tipo de produto e recursos endógenos ligados, nomeadamente à “geotermia, ao mar e à paisagem”, que facilitam o desenvolvimento deste produto para “atrair” clientes nacionais e internacionais. Isto, para posicionar os Açores como um destino de “excelência”. A Região tem condições ideais, que se prendem com a sua “riqueza” de recursos geotérmicos, podendo “aproveitar” os furos geotérmicos para fazer uma piscina, SPA natural, tal como fez a
Islândia que tem tido imenso “êxito” internacional. Nos Açores, há que explorar também o mar para os tratamentos de talassoterapia, feitos à base de “água salgada”. É essencial também definir “prioridades” de implementação nas ilhas e à medida que esta ocorra naturalmente, cobrir-se-ão outras ilhas com alguma “apetência” para desenvolver este tipo de produto. “O Pico já tem um estabelecimento de SPA, de Simas Santos e na Graciosa vai-se desenvolver o projecto das termas do Carapacho. Mas a talassoterapia exige um grande investimento, por isso o Observatório encomendou este estudo a uma equipa da Universidade Lusíada em Lisboa, para saber qual a possibilidade de implementação destes centros de talassoterapia, em ilhas mais pequenas com problemas de dimensão de mercado e de rentabilidade” – esclarece, avançando que importa “divulgar e promover” o Turismo de Saúde e Bem-Estar, para que os agentes económicos da Região e investidores externos encontrem uma “maior atractividade” neste investimento.
Teresa Ferreira, do Departamento de Dinamização do Instituto de Turismo de Portugal, começa por revelar quais as medidas a adoptar na Região, avançando que o PENT se prolonga até 2015, o que lhes dá algum tempo para implementação das respectivas estratégias e alcance de objectivos “ambiciosos, mas exequíveis”, que este define para “todas as regiões do continente e ilhas”. Em relação aos Açores, pretende-se “aumentar significativamente o número de turistas e diversificar um pouco os mercados”, de forma a não ficarmos “dependentes” de mercados específicos, como o nórdico (que está bem posicionado nos Açores). A nível regional estão todos em “sintonia”, o que a deixa “contente”. As componentes do turismo natureza e do turismo de bem-estar, que estão muito articuladas, são “determinantes”.
Referindo-se à natureza, Teresa Ferreira salienta haver todo um conjunto de factores “distintivos”, que a seu ver os açorianos talvez tenham “esquecido”, avançando ser necessária a presença de alguém de longe, para o “realçar” e lembrar. É este o grande “desafio aos empresários, porque sem eles não há actividade turística”. E continua, dizendo que o turismo é claramente uma actividade “económica”, logo precisa de os ter envolvidos nesta estratégia.
Esta conferência é importante, pois apresenta “experiências e soluções novas”, além de demonstrar ser possível construir “bons projectos”.
Agora, o importante é “identificar onde, que projectos e que conceito para esses projectos para podermos de facto dinamizar este produto e o turismo de natureza, que nos Açores tem todas as condições para resultar, de forma mais detalhada e sistematizada com os empresários”.
Referindo-se às metas e objectivos a atingir nos Açores até 2015, Teresa Ferreira afirma que “a previsão é a Região receber 1,2 milhões de turistas até 2015”, o que é um grande salto e um desafio, que “pressupõe crescer todos os anos 6 a 7%”. Encontrar a “estratégia e o ritmo regular” com os empresários, acentua, para incrementar este crescimento permanente, é outra meta a alcançar.
Quanto aos maiores entraves a um maior desenvolvimento turístico nos Açores, explica ser um pouco como acontece a nível nacional, sendo Lisboa, Madeira e Algarve destinos consolidados e o resto do país, incluindo os Açores, um “diamante em bruto”. Há “necessidade de articulação entre as entidades públicas” (que no fundo definem alguns parâmetros, os planos de ordenamento e identificam apoios financeiros) e os empresários, que são o “motor” de toda esta dinâmica, explica, acrescentando que os constrangimentos decorrem do facto de este ser ainda um destino em “construção e emergente”. Mas não há obstáculos “inultrapassáveis”, um sinal a dar aos empresários.
Portugal ser mais conhecido no estrangeiro, incluindo os Açores, passa muito pela “promoção internacional e pelas campanhas que desenvolvem, mas a seu ver o grande “desafio” destas campanhas que são muito caras, é o facto de estas conseguirem “corresponder a uma oferta efectiva de qualidade e competitiva”. Os serviços no âmbito do turismo são especializados nas campanhas promocionais e nos Açores a nova imagem é “bonita e apelativa”. O esforço tem sido feito, mas é preciso que a estruturação da oferta também corresponda a esse investimento. “Promoção muita obviamente, mas com a correspondente sofisticação e qualificação da oferta”.
Abordando a falta de animação que se denota na Região, a empresária avança ser um problema nacional, defendendo que “cada vez mais os empresários do sector do turismo têm de perceber que o turismo não é só proporcionar camas e um bom pequeno-almoço aos turistas”. É necessário que as equipas técnicas destes empreendimentos se rodeiem de “bons” colaboradores, que proporcionem toda uma experiencia aos seus turistas, não só dentro do hotel, mas fora. Dai a necessidade, acentua, de uma “articulação” entre os privados (que devem proporcionar essa experiencia e essas varias vivências) e as entidades públicas (que dispõem de jardins e programas culturais e religiosos). Todos devem colaborar para o objectivo de “transformar uma estadia que podia ser igual a qualquer outra, em algo claramente diferente e marcante” na sua vida.
Teresa Ferreira aproveita ainda para deixar uma mensagem aos empresários locais, dizendo-lhes que estes dispõem de uma “matéria-prima que precisa de ser trabalhada”, por isso são “imprescindíveis” nesse processo de posicionar os Açores nos grandes destinos turísticos mundiais. “Contamos com vocês”- conclui.
O Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) define o Turismo de Saúde e Bem-Estar, como um produto estratégico para algumas regiões de Portugal, incluindo os Açores.
O Observatório Regional do Turismo contribuiu para a implementação desse objectivo, promovendo esta conferência internacional que incluiu um estudo sobre os produtos de Turismo de Saúde e Bem-Estar e vários exemplos de sucesso, apresentados por reconhecidos especialistas e gestores de Spas e Centros de Talassoterapia, nacionais e internacionais. Trata-se do primeiro fórum, tanto a nível nacional como regional, para promover um debate alargado a todos os players do sector do turismo da Região Autónoma dos Açores e divulgar as melhores estratégias e práticas de benchmarking no domínio do Turismo de Saúde e Bem-Estar.
“Os Produtos de Turismo de Saúde e Bem-Estar: Avaliação das Possibilidades de Implementação nos Açores”; “A Importância da Alimentação num Projecto de Turismo de Saúde e Bem-Estar; a “Construção de um Destino de Saúde e Bem-Estar: A Perspectiva de um Operador Turístico”, “Promover a Oferta Portuguesa nos Circuitos Internacionais de Turismo de Saúde e Bem- Estar: O Conceito Aquameeting”; “Os Projectos das Termas da Ferraria e do Carapacho e Furnas Spa Hotel: Excelência no Turismo de Saúde e Bem-Estar”; “Choupana Hills: um Spa na Madeira”; “Caldea: Um Projecto Nacional e uma Fonte de Desenvolvimento Económico”, “Galiza: Um Destino de Turismo Termal na Espanha”, foram os temas abordados neste evento, que contou com a colaboração do Instituto de Turismo de Portugal, da Câmara do Comércio e Industria de Ponta Delgada e do Millenium BCP.
A Sessão de Encerramento contou com a presença de Carlos Santos, presidente do Observatório Regional do Turismo dos Açores, e de José Luís Amaral, director Regional do Comércio, Indústria e Energia.

Raquel Moreira



Public in Terra Nostra, Setembro de 2008.

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